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quinta-feira, 11 de abril de 2013


11/04/2013

Habitualmente, inicio minhas postagens relatando a pauta de nossas sessões ordinárias e as atividades que desenvolvo no exercício da vereança, mas hoje vou abster-me momentaneamente disto, prometendo logo retornar a esta prática.


O que urge seja dito é a posição em que se encontra nossa Câmara em relação às noticias que estão sendo veiculadas na mídia (TV, rádio, redes sociais e jornais), cujo protagonista é o presidente desta casa. Foi uma longa reunião que tivemos ontem, na Câmara, resumida aqui. Aparentemente muito emocionado, e ladeado por sua equipe de trabalho mais próxima, convidados especiais para esta reunião, e sem a presença da vereadora Edna Mafra, o presidente, de posse da palavra, disse querer esclarecer, primeiramente a nós vereadores, sobre tais fatos que o têm denegrido de forma enfática. Relatou que o ocorrido, e amplamente divulgado, foi “um erro” em sua vida, que se ressente muito pelo que ocorreu, e que tem lhe custado muito caro, talvez mais que tudo, a recente dissolução de seu casamento. Disse sentir-se vítima, sobretudo, do Jornal Folha do Sul, e de seu editor. Disse ter procurado espontaneamente a polícia civil para esclarecer tais fatos e que é ele, agora, quem quer a apuração dos fatos, alegando não ter se envolvido com menores de idade, menos ainda tendo feito para tanto gastos com dinheiro público. Disse que fez um pedido para a Justiça, para pesquisar os autores das mensagens anônimas que estão sendo veiculadas no “Blog do Paulão”, através da quebra de sigilos (pelas IPs dos computadores que enviam tais mensagens). E, de forma dispare de sua habitual candura, agitando-se, dirigindo-se a cada um de nós, relatou períodos em que se sentiu perseguido politicamente, afirmando que o quanto mais se sente assim, mais força reúne para se reerguer, tendo vencido eleições subsequentes e, de forma até provocativa, disse que até se lançará a deputado estadual e vencerá se mais achincalhado for. Disse ainda ter recebido o apoio incondicional dos membros da AMICAM – Associação Mineira das Câmaras Municipais, cerca de cem vereadores. Alegou ser um exímio trabalhador, tão dedicado que, se comparado a seus colegas, destaca-se por isso. Disse ainda estar cumprindo todos seus compromissos, inclusive públicos, apesar de tudo isso.


Depois de reiteradas manifestações de apoio e solidariedade, pedi para falar. Comecei valorizando a atitude do presidente em ter se colocado a nós, dando assim abertura para que lhe disséssemos também o que pensamos sobre o assunto. Disse que tenho me sentido muito constrangido em ter que responder a muitos que me questionam sobre este fato. Disse o quanto me condoeu sua separação, que o via arcando, de fato, com alto custo. Disse que ele sempre me tratara com respeito e isto era um mérito seu. Mas, sobre os fatos em si, questionei-o, inicialmente, sobre ter permitido que se fizesse tal vídeo, “com que propósito?”, “porque permitiu isso?”, ao que ele respondeu que o ex-prefeito também permitira ter sido filmado em situação de semelhante abordagem, o que prontamente contestei: estávamos falando de situações diferentes. Disse que para mim, sobretudo, o que mais o comprometia naquela situação era o fato de, estando ocupando uma posição pública, investido de uma autoridade, estaria ao mesmo tempo exibindo-se, e é o que me pareceu desde o início, numa clara promoção da prostituição, que em nosso meio é um grave problema social. A mim não interessaria suas peripécias pessoais, mas diante do que representa para nossa comunidade, deveria ocupar de preservar-se diante de questões tão sérias quanto prementes. Além do mais, poderíamos até pensar em exploração de uma classe menos favorecida, jovens meninas que se prestaram como objeto. Disse que se estávamos preocupados com a violência social, deveríamos antes nos ocupar da importância que têm as autoridades no que representam. Disse que, para mim, tratava-se, antes de tudo (porque seria outro o problema se constatada a situação criminal da pedofilia, o que não quero acreditar), tratava-se, antes de tudo, de uma questão Moral e Ética.


Políticos têm o dom, felizmente nem todos, de manipular pelas palavras, arregimentando seguidores para habitarem uma realidade fictícia por eles construída. Sofistas exercendo a arte do simulacro. A transparência, obtida pela insistência na recusa de meias-verdades, é o único meio de exercermos nossa vocação altruísta. Somente permanecerão aqueles que em sua essência forem verdadeiramente resilientes. Quem sabe há em tudo isso um processo de humanização se apresentando àqueles que se julgam deuses pelo simples e transitório poder que lhes foi outorgado? De fato o erro é humano, mas sua constatação deveria forçar o pensamento ao caminho do amadurecimento. E, certamente, crescer, amadurecer, implica em arcar com as conseqüências de nossos atos e, sobretudo, aprender com eles para não repeti-los. Minha posição é clara em relação a este fato. Se Deus existe, nem tudo é possível! Não é uma questão de perdão, é uma questão de Justiça! O pecado pede perdão, mas antes pede penitência. Se há vítimas nessa história, elas estão caladas e pedem nossa voz para defendê-las. Que todo esse penoso processo nos ensine, principalmente a todos nós políticos, o quanto somos importantes, no que representamos e no que esperam de nós.



2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. A mazela da sociedade se fortalece a cada desculpa para que ela exista, e as sequelas cicatrizam a partir da "indulgência" a que são submetidas as pessoas do poder.

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