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domingo, 26 de maio de 2013



“Artigo V – Fica decretado que os homens estão livres do jugo da mentira. Nunca mais será preciso usar a couraça do silêncio nem a armadura de palavras. O homem se sentará à mesa com seu olhar limpo porque a verdade passará a ser servida antes da sobremesa.”
Thiago de Mello
- OS ESTATUTOS DO HOMEM -

Quinta-feira (23/5), a EPTV, afiliada da Rede Globo, apresentou no seu jornal noturno a seguinte pauta: “Vereador e Jornalista de Três Corações são investigados por CORRUPÇÃO DE MENORES”. A matéria trata da convocação do Presidente da Câmara Municipal de TC, para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de combate ao turismo sexual e ao abuso sexual de crianças e adolescentes. No dia seguinte (24/5), a Deputada Federal Érika Kokay, co-responsável por tal convocação, falou à Rádio Tropical esclarecendo a investigação que fará sobre este tema.
Veja aqui a matéria da EPTV.
Os tricordianos devem se lembrar que já me posicionei publicamente sobre este tema delicado e, em minha atuação política, solicitei ao Plenário o afastamento do Presidente de nossa Casa Legislativa, pelo envolvimento no escândalo.
Leia aqui o pronunciamento feito na plenária.
A respeito dos novos acontecimentos, começo por destacar que considerei muito pertinente a abordagem pela mídia global quando se referiu ao fato como um periciamento sobre ‘Corrupção de Menores’. A abordagem da emissora nos ajuda a pensar a situação sem a interferência de questões morais inspiradas por expressões como “orgia” e “sítio dos prazeres”, que vinham sendo usadas pela mídia para tratar do assunto.  É claro para mim, e acredito que também para os diretamente envolvidos, que estamos tratando de graves problemas sociais, como a prostituição e o suposto envolvimento de menores. A situação nos coloca – autoridades e sociedade – diante da necessidade de pensar a atuação política e as políticas públicas a respeito destes problemas e dos que eles envolvem - pobreza, negligência no cuidado à infância, doenças sexualmente transmissíveis, turismo sexual, gravidez na adolescência, desvalorização da mulher e outras formas sutis de violência, drogadicção, marginalidade, etc.
Até a convocação dos envolvidos para depor na CPI, em Brasília, o que gerou matéria da EPTV, foi muito comum ouvir apreciações em que se defendia que a situação era motivada por disputas partidárias (chamadas equivocadamente de “políticas”). Tal apreciação, além de desviar do assunto, era parcial e inocente, pois o agente político deve, mesmo que exemplos não faltem do contrário, buscar ser exemplar em suas condutas e criterioso em suas decisões. Afinal, elegeu-se para ser um representante da sociedade, assumindo o compromisso de aprimorá-la.
Está claro, portanto, que nosso compromisso como legisladores municipais é mais amplo do que a situação que ora enfrentamos. É um compromisso que inclui o dever de discutir e ponderar com isenção e critério a respeito de fatos como os que estão envolvendo a presidência da Câmara. À competência da Justiça cabe a apuração dos fatos e a aplicação penal aos supostos culpados. Mas a competência da Justiça não põe em suspensão a obrigação política dos vereadores para com o tema, pois há também a luta por maior respeito à classe que hoje representamos e os apelos por critérios mais rígidos na condução destes cargos de grande responsabilidade.
Quando requeri a saída do Presidente da Câmara, cometi um gesto de afirmação do meu compromisso social com o cargo de legislador que me foi conferido. Particularmente, desejo de coração poder colaborar para diminuir o evidente sofrimento agônico deste meu colega de mandato. A situação que ele enfrenta já afetou gravemente sua vida em diversas instâncias, é dever nosso, dos outros colegas vereadores, ajudá-lo a poupar-se de se ver, num futuro próximo, responsabilizado por questões de igual gravidade no âmbito da Câmara. E corremos esse risco enquanto o mantemos na presidência da Casa. Essa responsabilidade é compartilhada por todos os vereadores.
E essa responsabilidade foi cobrada, também, pela Dep. Érika Kokay em sua fala à Rádio. Como ela bem lembrou, as manifestações de uma Câmara – Municipal, Estadual, ou Federal – se refletem diretamente na sociedade, isto é, desenham o mundo que estamos criando, no dia a dia da Câmara, para os nossos filhos e descendentes.
Nossa sociedade, hoje, discute a redução da maioridade penal, e não a redução da maioridade sexual.
Pela ordem!
Com a palavra aqueles que não têm voz nem vez!




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