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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

TC sem Degraus: carta aberta à Jairo Marques

Jairo Marques - jornalista



Sr. Jairo Marques, editor do jornal Folha de São Paulo, dedicou um e-mail com palavras de incentivo ao "Três Corações sem Degraus" por ocasião do ato público que realizamos no último dia 24 de agosto. Publico aqui a resposta a ele como forma de dar publicidade a algumas das discussões que o grupo aberto está se colocando para as próximas semanas: nossa próxima reunião será no dia 18/9, às 19h00, na Câmara Municipal.


Blog Assim como Você, de Jairo Marques, na Folhaonline
http://assimcomovoce.folha.blog.uol.com.br

  









Caro Jairo,
fui obrigado a adiar por duas semanas o retorno ao seu amigável e-mail, uma espera angustiante para mim, mas que não foi vã: com todos os engodos de uma comemoração de Independência num país ainda tão socialmente desigual, o 7/9 veio para acabar com todas as esperas e dúvidas, escrevo para lhe contar.
Agradeço sua observação sobre eu me apresentar como “estando vereador”, estou ainda no começo do segundo semestre do primeiro ano de vida pública, e mais de uma vez já pensei em desistir, agoniado entre mandatários encarnados a farejar eleições (como rosnam para qualquer novidade!).

Ato Público,
a manhã em que aconteceu, no dia 24/8 foi muito especial, e incluiu a leitura do seu e-mail durante a solenidade de adesão simbólica dos municípios da região ao “Viver sem Limite”. No momento em que recebemos o cortejo das ruas, li ao microfone suas palavras de incentivo e solidariedade.

Autoridades municipais de 10 cidades do Sul de Minas estiveram na apresentação do “Plano Nacional de Defesa dos Deficientes” promovida pelo grupo aberto, e cerca de trezentas pessoas participaram do ato público nas ruas de Três Corações. Conversei ontem com o apoiador institucional do Plano Nacional para Minas Gerais, Sr. Ronaldo Peres do Amaral, que me contou que hoje falta apenas uma adesão municipal para que o Viver sem Limite cumpra a meta no Sul de Minas: não é incrível? Nasceu das discussões abertas de um grupo voluntário o conhecimento estratégico que precipitou a chegada à região da maior política pública de promoção e defesa dos direitos humanos dos deficientes em vigor no país.

Democracia Participativa,
tudo isto começou no mesmo dia em que os manifestantes das ruas de Três Corações visitaram a Câmara Municipal para ler a sua pauta de reivindicações, e me parece que o florescimento e a direção que tomou o “TC sem Degraus” fez do grupo uma das expressões da Democracia Participativa mais maduras e fugazes que a região conheceu neste ano tão laborioso em experiências democráticas.

Enquanto os manifestantes das ruas viram sua agenda murchar de um conjunto de reivindicações a uma negociação apertada sobre o preço da passagem, o plano inicial do “TC sem Degraus", que era de ocupar as ruas com o ato público, evoluiu para uma especulação completa sobre o momento por que passa a atenção aos deficientes em Três Corações, com participação de instituições públicas e privadas, entidades e famílias com deficientes, duas representações jurídicas em defesa de direitos públicos para deficientes, e a elaboração de 10 leis de atenção às necessidades especiais: o grupo configurou-se como uma universidade aberta de democracia participativa.

Sete de Setembro,
no calor da emoção do ato público houve quem levantasse a hipótese de participarmos do desfile cívico do dia da Independência, o que nos daria uma visibilidade comunitária interessante, e ajudaria a marcar o caráter do grupo, afinal, era um desfile cívico, e o grupo aberto uma expressão organizada da sociedade civil. Entre nós, debatíamos que não havíamos feito um protesto, que nosso ato não fora de resistência, mas de reexistência, tínhamos ao nosso lado o general da escola militar, uma formação de soldados que ao invés de armas carregavam uma faixa de solidariedade aos direitos humanos dos deficientes, e na linha de frente do cortejo, ao invés de nomes de pessoas ou partidos três cadeirantes conduziam a logomarca de uma política pública nacional. Vimos no “07 de Setembro” uma chance para cantar a nossa novidade.

A três dias da comemoração cívica, na última reunião antes do grande dia, fomos comunicados, por telefone, de que a Secretaria de Cultura desaconselhava a participação do grupo, uma vez que éramos um grupo de manifestantes, “que já havia tido o seu momento”. A situação abriu um debate interno no grupo, uma parte gostaria de protestar contra a situação e a outra preferia concentrar esforços em outras frentes, como desfazer as interpretações equivocadas sobre a natureza do grupo.

Tc sem Degraus no 07 de Setembro
Deu-se que na manhã do feriado, um tanto contrariados com a situação, eu e a psicóloga Regina Celi Tavares Kirsten (minha esposa) saímos às ruas para acompanhar as festividades. Foi dela ideia de procurar por Maycon Emerson, nosso companheiro de “fundação” do grupo aberto, para desfilarmos com a APAE – que ao saber dos nossos planos topou nos acolher prontamente, e com a seguinte tirada: “venham conosco, tá cheio de gente com degrau na cabeça por aí”. O resto da história a imagem ao lado conta.


Coroando nosso dia de tomada do desfile cívico em nome do despertar da consciência política e social pelos direitos dos deficientes, na edição noturna do telejornal regional mais assistido no Sul de Minas foi ao ar uma matéria sobre o trabalho do grupo (vídeo abaixo). Na reportagem, o Secretário Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Sr. Antônio José Ferreira, contracena com Maycon Emerson para reafirmar a maior preocupação do grupo aberto: os gestores municipais do Brasil todo, também os do Sul de Minas, precisam tomar partido do “Viver sem Limite” para implantar políticas públicas para os deficientes no âmbito municipal: no dia da apresentação do Plano Nacional, em Três Corações, não havia nenhum representante do Executivo Municipal, a necessidade de sensibilizá-los para o debate aberto é o desafio do “Três Corações sem Degraus” daqui para adiante: segue a luta pelos direitos dos “malacabados”.


Um abraço fraterno e agradecido, caro Jairo.





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